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CAMPANHA EM FOCO
| IGREJAS NEOGÓTICAS |
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| Escrito por Ruth Judice | |
| 11-Jun-2010 | |
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Ruth Judice, uma paulista, mas apaixonada por Petrópolis e seus tantos encantos, lança, em dezembro próximo, seu segundo livro sobre nossa cidade. Estudiosa e amante da história da arte, descobriu em Petrópolis, onde se estabeleceu desde há muito, preciosidades quase esquecidas: detalhes que acabam ficando escondidos diante dos olhos apressados de quem passa. O Projeto Seu projeto inicial era fazer um livro que apresentasse a cidade por inteiro. Em seguida, diante das dificuldade em levar o custoso trabalho adiante, decidiu desmembrar a obra em 10 assuntos distintos como nossos Casarões e a arquitetura palaciana da cidade, entre outros. O primeiro foco de sua atenção e pesquisa foi o Palácio de Cristal, seguido pelo livro das Igrejas Neogoticas, a ser lançado em breve. Desta feita, brinda-nos com a beleza neogótica por vezes estampada, e em outras escondida, em algumas de nossas igrejas. O LIVRO Igrejas Neogoticas retrata seis das igrejas de Petópolis : a Catedral de São Pedro de Alcântara, a Igreja de Santo Antônio, a Igreja Luterana, a Igreja Coração de Jesus, a Igreja Sant´Ana e São Joaquim e a Igreja São Vicente de Paula. Sobre cada uma delas a autora faz uma pesquisa detalhada e apresenta plantas arquitetônicas feitas especialmente para esse trabalho. Curiosamente, muitas delas, até divergem das plantas originais oferecidas pelas igrejas, já que não raro a construção não seguiu o desenho inicialmente traçado. Apenas uma das igrejas apresentadas nesse trabalho não segue o estilo neogótico. É a igreja São Vicente de Paula, que tem um padrão neo-basilical mas que, igualmente mereceu sua atenção. Por conta de suas tantas pesquisas, deparou-se com a limitação de nossa memória e decidiu acrescentar algumas biografias ao trabalho, como a do Frei Leão, figura das mais queridas em sua época e hoje, praticamente esquecido. Com fotografias de Alex Ferro, o trabalho apresenta-se como um livro de arte a ser apreciado detalhadamente.
fotos: Rosacea, Gablete e Sinos da Catedral de São Pedro de Alcantara OS ESTILOS Ruth faz uma introdução bastante clara e detalhada sobre a origem e a evolução neogótica. Explica que, para que o neogótico seja compreendido, é necessário termos um contato prévio com os estilos românico e o gótico, surgidos na Idade Média. Esclarece que o termo neo caracteriza qualquer tipo de construção arquitetônica que seja correspondente a um determinado estilo, mas que tenha sido construído em época posterior à concepção original. Acredita-se que essa forma de expressão tenha surgido a partir da descoberta dos escombros da cidade de Pompéia, que foi atingida e soterrada pelas lavas de um poderoso vulcão (Vesúvio). Após ter sido desenterrada, a cidade trouxe à tona, quase intacta grande parte de sua arquitetura que gerou uma saudade, uma nostalgia... e a necessidade de reviver estilos de construções antigas. Ruth ressalva que entre algumas das características mais marcantes do estilo gótico e, por conseguinte, do neogótico estão os arcos quebrados, as abóbadas de aresta e as rosáceas. Lembra que essa forma arquitetônica chegou ao Brasil através dos estudantes que, em tempos outros, iam completar seus estudos na Europa e voltavam trazendo novidades. Em Petrópolis, chegou-nos também trazida por D. Pedro II, um homem de cultura e bom gosto. OBJETIVO O grande objetivo da autora é fazer com que os petropolitanos passem a ver sua cidade com outros olhos. Ruth, por sua vez, vê longe: suas obras são apresentadas em português e inglês, simultaneamente, visando atingir também o grande número de turistas que visitam nossa cidade. Alegra-se em poder contar curiosidades pouco conhecidas como o fato de que a igreja Luterana da Rua Ipiranga, um legítimo neogótico à primeira vista, mantém o etilo apenas na fachada. O interior foge totalmente aos padrões, mantendo-se fiel à antiga capelinha lá existente. OS ENTRAVES E A VOLTA POR CIMA Infelizmente, como a grande maioria das pessoa que se dedicam às artes de uma forma em geral, Ruth deparou-se com algumas dificuldades práticas na hora de executar seu projeto: falta de verba, de patrocínio e de apoio. A fim de facilitar seu trabalho, acabou criando sua própria editora- Crayon – em sociedade com sua filha, que é poeta. Ruth não tem dúvidas: “o saber leva-nos a ver com outros olhos”. E é com os olhos bem abertos e atentos que deveríamos apreciar esse trabalho de resgate de belezas tão próximas e, muitas vezes, tão distantes de nossa percepção. Apoio: Fundação Cultural Petrópolis e Wener.
Foto: Fachada atual da Igreja Luterana. Texto: Christiane Michelin Esse artigo foi publicado (e revisado) no Jornal de Petrópolis em 02/12/2000 |
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| Atualizado em ( 01-Sep-2010 ) |
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