OS CANARINHOS CANTAM PARA O MUNDO! PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ruth Judice   
08-Apr-2010
Índice de Artigos
OS CANARINHOS CANTAM PARA O MUNDO!
Página 2

 

coral_canarinhos.jpgDomingo, 15 de agosto, fui assistir à missa no Sagrado Coração de Jesus. Fugi aos meus hábitos de assistir missa vespertina porque recebera um convite para “festejar com eles os 40 anos de sua Instituição”. E o convite era ainda mais convincente –“Solene missa em ação de graças, na igreja Coração de Jesus. O coral dos “Canarinhos” cantará a “Missa Marcelli”, considerada a oba máxima do grande mestre Palestrina.

 Já esperava pela emoção que sentiria, mas foi maior do que prevista. Excepcional o coro regido por seu fundador, o Frei Leto, que nos seus cabelos brancos e nos gestos, não tão viris como os de 40 anos atrás, elevava a batuta com a mesma agilidade passada. Hoje já criou um sucessor na pessoa do Frei José Luiz Prim, porque os homens passam mas as tradições ficam. E foi essa minha maior emoção. Ver tão bem conservada, tão bem organizada e respeitada essa tradição criada pelos franciscanos.

Os corais infantis nas igrejas surgiram com o papa Gregorio Magnum, quando criou a “Escolae Cantorum”, escola anexada à igreja de São Pedro em Roma, para substituir a deficiência dos cantos paroquiais que por razões históricas, já não complementavam as missas.

Eram apenas vozes masculinas, porque na época apenas os homens trabalhavam em público. O mundo ainda não passara pelas aberturas sociais e a mulher ainda não atingira a igualdade de direitos e deveres como o homem.

E esse coro, que nasceu no antigo Instituto S. José, hoje absorvido pela pessoa jurídica dos “Canarinhos”, mas ainda atuante, já em vésperas de fazer 40 anos, dá-nos essa lição de acompanhar o progresso, mas conservar o passado através da tradição.

Já vai longe a época em que a Igreja era, primeiro a única e depois, a maior educadora da Humanidade. Os tempos mudaram, as técnicas e progressos diminuíram o número de religiosos, as populações aumentaram e esse número não pode acompanhar essa explosão. É por isso que, quando vemos a Instituição dos Canarinhos, fundada e mantida por franciscanos, damos mais um crédito a S. Francisco de Assis. É bom vê-los prerservando algo.

E quando esse algo é o resultado artístico de um trabalho insano e constante levado a bom término e reconhecido em Petrópolis, no Brasil e no mundo, sentimo-nos gratificados como petropolitanos amantes desta cidade que nasceu da inspiração cultural e artística de nosso imperador D. Pedro II.

Parabéns “Canarinhos”. Continuem a tradição começada  por seus avós, ex-canarinhos aplaudem hoje. Possam várias gerações ainda deleitar-se com seus graves e agudos que tanto me emocionaram domingo!

Este artigo foi publicado no Jornal Tribuna de Petrópolis em 16/08/1982



Atualizado em ( 27-Apr-2010 )
 
< Anterior